A fotografia de Isa Anália

Por Isabella Anália (Flickr)

Comecei a fotografar mais que o normal mais ou menos em 2009, quando fui para Campinas com um grupo de jovens realizar um trabalho social e missionário, do qual participo desde 2006.  Era uma câmera compacta, simples, mas que “conversou” comigo de um jeito muito leve, natural e bonito. Acho que essa é uma das melhores formas de começar a fotografar: porque acredita que algo ali vai conversar com seus pensamentos, sentimentos e ideias.
Desde então, todos os anos, em todas essas viagens e nos encontros e reuniões fui fotografando, fotografando, fotografando e me apaixonando cada vez mais por andar com uma câmera na rua, por capturar pessoas, momentos, crianças e olhares. Meus amigos começaram a fazer comentários positivos sobre minhas fotos e eu me interessei mais ainda – elogiem seus amigos fotógrafos, isso incentiva demais a caminhada!

Até que do final de 2012 para o começo de 2013 eu estava ainda em dúvida de que curso faria na faculdade. Rodei, rodei, rodei e não me encaixava em nada. Quando você gosta de fotografia pura, ela por ela, você não curte muito, de início, marketing, publicidade e derivados. Claro, isso vai de cada um, mas comigo foi assim. Então procurei um curso de fotografia, e estou a um ano e meio no bacharelado da minha vida!

Quando comprei minha câmera, meu Deus (!), eu não parava de fotografar! Hahaha… O curso tem me moldado, me lapidado, tem educado meu olhar, meu pensamento e minha intenção ao fotografar. Ainda tenho muito que aprender, mas hoje estou mais madura em relação ao “pensar fotográfico”, a discutir e produzir fotografia. Conhecimento nunca é demais e quando se fala de fotografia, temos muito assunto para discutir. A fotografia é um mar de reflexões.

No primeiro semestre de faculdade, tínhamos um projeto individual para desenvolvermos, e o tema era “(in)visibilidade”. Decidi fotografar o “banal”, momentos no nosso dia a dia na cidade, consequentemente na rua, que a gente não para pra olhar direito no meio desse caos urbano. Queria valorizar as pessoas como sempre quis. Bem lembrado: Meu coração sempre foi inclinado para pessoas. Sempre quis fazer algo por elas, nunca soube direito o que – talvez eu ainda não saiba, mas a gente vai tentando. Então comecei. E, como todo bom começo para uma fotógrafa perder na marra o medo de andar com equipamento na rua, comecei fotografando no centro de São Paulo – nunca fui roubada, ufa! Fotógrafo precisa aprender a fotografar com as pernas também, precisa saber levantar e ir onde deseja.

Foi ai que me encontrei. Fiz muitas, muitas fotos. Me encantei com a fotografia social! Imagino que seja difícil expressar sinceramente algo que não se sente. Fica vazio, fica pouco, não toca os outros. Mas quando você coloca para fora o que tanto precisava colocar, você transborda, e é ai que tocamos profundamente as pessoas. E isso pra mim é arte. É quando o que você sente se encaixa com o que você diz e se expressa no que você faz. A prática (como expressar) completa o discurso (o que se expressa) e o discurso dá sentido à prática. Ou seja, ou você vive sua arte ou eu desconfio da sua arte.

Na verdade, acho que nenhum projeto que nasce por quebrarmos a cabeça toca de verdade o coração das pessoas, e o que não toca corações – que não incomoda, sabe? – não poderia ser chamado de arte. Acredito ser difícil produzir algo para tocar pessoas se a coisa não te tocou antes. Não acha?

Junto com o processo desse projeto individual, tínhamos um tempo muito legal que era colocar as fotos na mesa e a sala discutia sobre o projeto de cada um. Isso ajudava muito no desenvolvimento estético e teórico do trabalho. Fotógrafo também precisa aprender a escutar, a baixar a cabeça, a prestar atenção no olhar do outro. Nisso tive um retorno muito positivo e muitos conselhos de alguns colegas, o que me incentivou muito a caminhar para amadurecer meu estilo fotográfico. Apesar de essa expressão ser em parte meu estilo de fotografar o que eu gosto: pessoas “(in)visíveis” na rua. Eu persigo esse meu olhar/coração até hoje.

Não sei o porquê, mas todos nós temos a necessidade de colocar para fora o que sentimos. E a forma que eu achei para “libertar” isso de mim foi a fotografia social/ de rua. Tanto que quando descobri exatamente o que eu gostava nesse mundo enorme que é a fotografia, desenvolvi melhor meu discurso, meus pensamentos, minha fala, meus argumentos e minha comunicação – que era péssima. Estou melhorando pouco a pouco, graças a essa minha descoberta. Fotografia abre a mente – e os olhos!

Trecho do primeiro texto sobre meu projeto “Ostentação”, ainda em andamento.

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5 Respostas para “A fotografia de Isa Anália

  1. Ta ai… a Isa se achando… ou melhor se descobrindo… como isso tira um enorme sorriso do meu rosto… pois o processo do autoconhecimento ou auto descobrimento e longo e nem todos caminham em direçao a ele, apesar de ser o ideal.
    Me lembro claramente de ouvir um comentario seu, em uma certa ocasiao que vc gostario de ser “tipo” seu irmao… “articulado” pensei: ela vai descobrir o seu espaco… afinal a observacao e o espelhamento nos moldam a seres melhores… e ver ve-la descobrindo seu espaco… seu estilo… me deixa orgulhosa e feliz… principalmente por encontrar seu caminho na arte… que nos molda e torna melhorares, pois reflete em nos o divino.
    Parabens!!! God bless you

  2. Nilza, acho um absurdo você me dizer coisas tão lindas e estar tão longe… ai não dá pra dar aquele abraço que só você sabe dar, poxa vida! É uma alegria e emoção “escutar” essas coisas de você, logo você, que admiro e amo tanto! São por pessoas como você que eu me inspiro e me alegro pra continuar. É realmente uma alegria Ele ter me mostrado esse meu caminho, Ele me completa através disso, e me sinto bem. Amém! Amo você!

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